A NBR 5419, norma brasileira que regula os Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), foi revisada em 2026. Se você é síndico, engenheiro, responsável técnico por uma edificação ou está com o AVCB para renovar, vale entender o que mudou, porque a versão atualizada da norma já está em vigor e é a referência para projetos, laudos de SPDA e vistorias.

Este artigo resume as principais alterações da NBR 5419:2026 em linguagem prática, sem juridiquês técnico. O foco é ajudar quem precisa manter o SPDA da edificação em dia.

O que é a NBR 5419 e por que ela foi revisada

A NBR 5419 é a norma da ABNT que define como projetar, instalar, inspecionar e manter sistemas de proteção contra raios. Ela tem quatro partes:

  • Parte 1: princípios gerais
  • Parte 2: gerenciamento de risco (quem precisa de SPDA)
  • Parte 3: danos físicos à estrutura (captores, cabos de descida, aterramento)
  • Parte 4: sistemas elétricos e eletrônicos internos (DPS e equipotencialização)

A revisão de 2026 atualiza a edição anterior (2015) para incorporar novos métodos de proteção, alinhar-se a normas internacionais e refletir a experiência acumulada em mais de uma década de aplicação no Brasil.

Principais mudanças na NBR 5419:2026

1. Análise de risco mais detalhada (Parte 2)

A avaliação de risco que define se uma edificação precisa ou não de SPDA ganhou novos parâmetros. A NBR 5419:2026 inclui fatores como:

  • Fontes de dano adicionais: a norma agora considera mais explicitamente descargas indiretas e seus efeitos em sistemas eletrônicos
  • Perdas atualizadas: os critérios de perda de serviço público e de valor cultural foram revistos
  • Edificações mistas: o cálculo para construções com diferentes ocupações (comercial + residencial, por exemplo) ficou mais claro

Na prática, algumas edificações que antes ficavam no limite da obrigatoriedade podem agora se enquadrar, e vice-versa. O ideal é refazer a análise de risco sempre que houver uma reforma significativa ou mudança de ocupação.

2. O que mudou na inspeção (Parte 3)

A edição de 2015 já definia a periodicidade das inspeções pelo uso e pela exposição da estrutura. A NBR 5419:2026 mantém essa lógica e ajusta alguns pontos:

  • Inspeção periódica: o intervalo é definido pelo uso e pela exposição da estrutura, não pelo nível de proteção (ABNT NBR 5419-3:2026, item 7.3.2, alínea f): a cada 1 ano para estruturas com áreas classificadas 0, 1, 20 e 21, munição, explosivos ou componentes tóxicos, ou expostas à corrosão atmosférica severa, ou de fornecedores de serviços essenciais, e a cada 3 anos para as demais. Em relação a 2015, entraram na faixa anual as áreas classificadas 0, 1, 20 e 21, os componentes tóxicos e o apoio à vida entre os serviços essenciais
  • Inspeção visual semestral: a edição de 2015 exigia inspeção visual semestral; a de 2026 deixou de exigi-la, e as verificações visuais entre as inspeções periódicas passaram a ser indicadas como úteis, não como obrigatórias (nota 1 do item 7.3.2)
  • Medição de resistência de aterramento: a norma passou a estabelecer que "não é necessária a realização de medição de resistência de aterramento para a verificação da eficácia do SPDA" (ABNT NBR 5419-3:2026, item 7.1.4)
  • Após descarga atmosférica: a inspeção é pedida quando houver suspeita de que o SPDA foi atingido ou de que o DPS nas entradas das linhas elétricas foi solicitado por descarga atmosférica, o que pode ser verificado por contadores de raios ou por inspeção visual (ABNT NBR 5419-3:2026, item 7.3.2, alínea e)

3. DPS e proteção interna (Parte 4)

A parte que trata da proteção de equipamentos elétricos e eletrônicos foi a que mais mudou:

  • DPS obrigatório em mais situações: a NBR 5419:2026 amplia os casos em que o Dispositivo de Proteção contra Surtos é exigido, incluindo edificações com sistemas eletrônicos sensíveis mesmo quando o nível de proteção do SPDA é baixo
  • Coordenação entre DPS: a ABNT NBR 5419-4:2026 trata da coordenação entre os DPS instalados em cascata; as classes em si são definidas pela norma de produto ABNT NBR IEC 61643-11
  • Equipotencialização: os requisitos para interligação de todas as massas metálicas e sistemas elétricos foram reforçados, especialmente em edificações com múltiplos aterramentos

Para quem já tem SPDA instalado, isso pode significar a necessidade de complementar a proteção com DPS adicionais nos quadros de distribuição.

4. Novos métodos de proteção

A NBR 5419:2026 reconhece formalmente métodos de proteção que antes não estavam detalhados na norma, como o uso de cabos de descida isolados em fachadas e sistemas híbridos que combinam Franklin e gaiola de Faraday na mesma edificação.

Isso dá mais flexibilidade de projeto, especialmente em prédios com fachada de vidro ou revestimentos que dificultam o caminhamento tradicional dos condutores.

5. Documentação e laudo técnico

A versão 2026 da norma é mais explícita sobre o que o laudo técnico deve conter:

  • ART obrigatória em todos os laudos de inspeção, não apenas nos de instalação
  • Registro das medições com data, equipamento utilizado e condições ambientais
  • Anomalias e não conformidades documentadas com fotos e prazos de correção
  • Recomendações claras sobre o que precisa ser adequado e em quanto tempo

Se você contrata um laudo de SPDA, vale conferir se o documento entregue atende a esses requisitos. Um laudo incompleto pode ser recusado na renovação do AVCB.

O que isso significa na prática

Para o síndico ou administrador de condomínio: a NBR 5419:2026 não muda a obrigatoriedade do SPDA; na inspeção, amplia os casos de intervalo anual, torna opcional a inspeção visual semestral e pede laudos mais detalhados.

Para o engenheiro ou responsável técnico: a análise de risco tem novos parâmetros, e a proteção interna com DPS ganhou mais peso. Projetos novos já devem seguir a versão 2026.

Para quem está com o AVCB para renovar: o Corpo de Bombeiros de São Paulo aceita laudos baseados na NBR 5419:2026. Se o seu laudo ainda cita a versão 2015, não há problema imediato, a transição é gradual, mas nas próximas renovações o ideal é atualizar.

Como saber se a sua edificação está conforme a NBR 5419:2026

A única forma de ter certeza é contratar uma inspeção técnica completa, com emissão de laudo com ART CREA-SP. A inspeção verifica:

  • Estado dos captores e condutores de descida
  • Continuidade elétrica de todo o sistema
  • Resistência do aterramento (medição com terrômetro calibrado)
  • Conformidade com a análise de risco atualizada
  • Necessidade de DPS e equipotencialização

Com o laudo em mãos, você sabe exatamente o que precisa ser ajustado e pode programar as correções antes da vistoria do Corpo de Bombeiros. Se você precisa de um laudo SPDA atualizado, a ABI Antel faz a vistoria completa com medição de aterramento e emite o laudo com ART CREA-SP.

Precisa de ajuda com o laudo SPDA?

Se você quer saber se o SPDA da sua edificação está conforme a NBR 5419:2026, a ABI Antel faz a vistoria completa, mede a resistência do aterramento e emite o laudo técnico com ART CREA-SP, aceito pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo para renovação do AVCB.

Entre em contato pelo formulário de contato ou pelo WhatsApp para agendar a inspeção. Atendemos condomínios, indústrias e empresas em São Paulo capital e Grande São Paulo.