Torres de telecomunicação e telefonia, como as de rádio, celular e internet sem fio, estão entre as estruturas mais expostas a descargas atmosféricas. A altura, a posição isolada no terreno e os equipamentos eletrônicos sensíveis no topo tornam a proteção contra raios um requisito de projeto e de manutenção, não um opcional.
Este post mostra o que a análise técnica considera ao dimensionar e verificar o SPDA (Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas) de uma torre, e como a documentação com ART CREA-SP protege a operadora, o provedor e o responsável pela estrutura.
Por que a torre exige um tratamento próprio
A NBR 5419:2026 (atualização da série de proteção contra descargas atmosféricas) orienta que a necessidade e o nível de proteção saem de uma análise de risco. Nas torres de telecomunicação, vários fatores elevam esse risco:
- a altura e a exposição da estrutura acima do entorno;
- a posição frequente em áreas abertas ou no topo de edificações;
- a antena, os rádios e os equipamentos de transmissão no topo e na base;
- os cabos coaxiais, de fibra e de alimentação que entram na estação;
- a continuidade da operação, essencial para os usuários que dependem do sinal.
Por isso, uma torre dificilmente fica sem proteção na avaliação de risco. O que muda é o nível de proteção e o arranjo do sistema, que devem sair de um projeto técnico, não de um padrão genérico copiado de outra obra.
Captação e descida: a própria estrutura pode ajudar
Torres metálicas autoportantes, monopolo e as do tipo estaiada podem usar a própria estrutura como parte do sistema de captação e de descida, desde que haja continuidade elétrica entre os elementos e conexões adequadas. Essa é uma avaliação técnica: um projeto verifica se as partes metálicas formam um caminho contínuo até o aterramento, em vez de tratar cada parafuso como um equipamento separado.
Quando a torre é montada sobre uma cobertura ou em prédio, o projeto também precisa compatibilizar o sistema da torre com o SPDA da edificação, para que os dois trabalhem juntos e sem interferência entre cabos de descida e equipamentos.
Aterramento da base: o caminho para o solo
A corrente de uma descarga precisa de um caminho de baixa resistência até a terra. Nas torres de telecomunicação, o aterramento da base costuma combinar eletrodos e condutores ao redor das fundações, dimensionados para reduzir a resistência e distribuir a corrente de forma controlada.
A medição da resistência de aterramento é parte da rotina. Ela usa terrômetro calibrado e o método da queda de potencial para ler o valor da estrutura já instalada. Se o resultado não atende o critério do projeto, o sistema precisa de adequação antes de um outro laudo ser aceito.
Proteção dos equipamentos: DPS no ponto de entrada
A estrutura metálica desvia a descarga, mas os surtos induzidos também entram pelos cabos que alimentam a estação. Para proteger rádios, controladores, roteadores e fontes, o arranjo de proteção inclui DPS (Dispositivos de Proteção contra Surtos) nos pontos de entrada de alimentação e nos meios físicos que chegam aos equipamentos, conforme a NBR 5419-4.
A escolha e a localização dos DPS dependem do sistema, do nível de exposição e da distância até o equipamento protegido. A classificação dos dispositivos vem da norma de produto correspondente; a instalação deles, da parte de proteção contra surtos da série NBR 5419:2026. Esse detalhe costuma ser decisivo em estações que usam equipamento sensível sem reserva.
Inspeção e documentação periódicas
Uma torre de telecomunicação é uma estrutura de poucas partes móveis, mas a proteção envelhece: conexões oxidam, cabos se soltam, o contato entre elementos metálicos perde continuidade e a vegetação pode encobrir eletrodos. A ABNT NBR 5419-3:2026, item 7.3.2 f), prevê inspeção periódica a cada um ano para estruturas de fornecedores de serviços considerados essenciais, categoria em que a norma cita sinais, o que alcança as torres pertencentes a operadoras e provedores desse serviço. A mesma norma pede novas inspeções quando houver suspeita de descarga atmosférica no sistema ou após alterações na estrutura.
O registro técnico também importa. Operadoras, seguradoras e fiscalizações costumam pedir documentação que comprove a condição do sistema. Um laudo técnico de SPDA, assinado por engenheiro eletricista habilitado e registrado no CREA-SP com ART, é o documento que atesta essa condição.
Cuidado com improvisos
Como a operação depende do sinal contínuo, é tentador corrigir um captor solto, um cabo rompido ou um eletrodo exposto com uma solução rápida, sem projeto. Em torres, um aterramento mal feito pode proteger a estrutura na aparência e deixar os equipamentos expostos, ou criar caminhos de corrente indesejados nos cabos de dados.
Quando houver qualquer dúvida sobre a condição do sistema, o caminho seguro é uma avaliação técnica que verifique captação, descida, aterramento, proteção contra surtos e documentação, e indique o que precisa de correção antes da próxima tempestade.
Como a ABI Antel atende torres de telecomunicação
A ABI Antel projeta, instala e mantém sistemas de SPDA e aterramento para torres de telecomunicação na Grande São Paulo, com ART CREA-SP e critérios da NBR 5419:2026. O serviço de instalação de para-raios cobre a proteção de estruturas como essas, e o laudo técnico registra a condição do sistema para operadoras, provedores e seguradoras.
Se a sua torre precisa de avaliação, projeto, instalação ou a renovação do laudo: envie pelo formulário de contato ou pelo WhatsApp, e a equipe técnica indica o próximo passo para deixar a estrutura protegida e a operação segura.