A wallbox foi instalada, o quadro ganhou um disjuntor novo e o carro carrega sem problema. Então alguém pergunta: o DR desse circuito é tipo B? Na maioria das garagens de São Paulo a resposta é "não sei". E isso importa, porque o DR comum pode simplesmente não enxergar o tipo de fuga que um carregador de carro elétrico é capaz de produzir.
Este artigo explica o que a NBR 17019 exige, como saber qual DR está no seu quadro e como o próprio carregador pode mudar a resposta. Se a instalação ainda não existe, ou precisa ser regularizada, o nosso serviço de aterramento e infraestrutura elétrica para carregador de carro elétrico cobre o circuito dedicado, as proteções e a ART.
O problema: a fuga que o DR comum não vê
O DR (dispositivo diferencial-residual) compara a corrente que sai pela fase com a que volta pelo neutro. Se parte dela escapou por outro caminho, a diferença aparece e o DR desliga o circuito. Isso funciona bem quando a fuga é alternada, como a corrente da rede.
Na recarga em corrente alternada (o modo 3, típico das wallboxes), a conversão para corrente contínua acontece dentro do carro, no carregador de bordo. Uma falha de isolamento do lado contínuo desse conversor pode fazer circular uma corrente de fuga contínua e lisa até o condutor de proteção. Ela causa choque como qualquer outra, mas o DR comum não foi feito para detectá-la.
O que acontece com um DR tipo AC ou tipo A
Os DR são classificados pelo tipo de corrente residual que conseguem detectar:
- Tipo AC: detecta apenas corrente residual alternada senoidal. É o mais comum em quadros antigos.
- Tipo A: detecta corrente alternada e corrente contínua pulsante, a forma típica de fuga em equipamentos eletrônicos comuns.
- Tipo B: detecta tudo o que o tipo A detecta e também corrente contínua lisa.
O ponto crítico é que a corrente contínua lisa não apenas passa despercebida por um DR tipo AC ou tipo A: ela pode "cegar" o dispositivo. O núcleo magnético satura com a componente contínua e o DR perde a sensibilidade também para as fugas alternadas. Enquanto a fuga contínua existir, o circuito fica sem proteção para qualquer defeito.
O que a NBR 17019 e a NBR 5410 exigem
A NBR 17019, norma brasileira para instalações elétricas de recarga de veículos elétricos, trata cada ponto de recarga como um circuito dedicado, protegido individualmente por um DR de alta sensibilidade (30 mA). Ela complementa a NBR 5410, a norma geral das instalações de baixa tensão, que cuida do restante da instalação, inclusive do aterramento.
Na questão do DR, a exigência da NBR 17019 é a proteção contra corrente residual contínua lisa no circuito do carregador. A norma não diz simplesmente "use DR tipo B". Ela exige que essa proteção exista, e ela pode ser atendida de duas formas:
- DR tipo B no circuito dedicado do carregador; ou
- DR tipo A combinado com um dispositivo de detecção de corrente residual contínua (RDC-DD), com limiar de 6 mA, que interrompe a alimentação ao detectar a fuga contínua.
O que não atende é um DR tipo AC sozinho, ou um DR tipo A sem nenhuma detecção de corrente contínua.
Como saber qual DR está no seu quadro
Olhe a frente do dispositivo: o fabricante marca o tipo com um símbolo.
- só uma senoide (~) indica tipo AC;
- uma senoide acompanhada de uma meia-onda pulsante indica tipo A;
- os símbolos anteriores mais uma marca de corrente contínua indicam tipo B.
Se o DR não tem marcação de tipo, ou já estava no quadro antes da wallbox, a suposição segura é que ele é tipo AC. E se o carregador divide o DR geral da casa com outros circuitos, o circuito também não é dedicado como a norma pede.
O detalhe que muda a resposta: o que o carregador já traz
Boa parte das wallboxes vendidas hoje traz o detector de corrente contínua de 6 mA embutido. Quando o fabricante declara isso na documentação técnica do equipamento, um DR tipo A no circuito dedicado atende à exigência da norma. O DR tipo B deixa de ser necessário.
Mas isso depende da declaração do fabricante, modelo a modelo. Não é uma regra geral, e o instalador não pode presumir. Se a ficha técnica não afirma a detecção de corrente contínua de 6 mA, a instalação precisa de um DR tipo B. Por isso a escolha do DR se define lendo a documentação do carregador, e fica registrada no projeto.
DR, aterramento e DPS: um conjunto, não itens soltos
O DR só protege se a corrente de fuga tiver um caminho para retornar, e esse caminho é o aterramento. Um condutor de proteção interrompido ou uma resistência de aterramento alta fazem o DR "não ver" a falha, seja ele do tipo que for. Por isso o aterramento do ponto de recarga precisa ser verificado por medição.
O DPS (dispositivo de proteção contra surtos) completa o conjunto: protege a eletrônica do carregador e do carro contra sobretensões. Ele fica no quadro que alimenta o circuito do carregador e também depende de um aterramento adequado. Detalhamos a escolha e a instalação no serviço de instalação de DPS.
Quando chamar vistoria e pedir laudo com ART
Alguns sinais indicam que vale uma avaliação técnica antes de continuar usando o ponto de recarga:
- o DR do carregador é tipo AC, não tem marcação de tipo, ou é compartilhado com outros circuitos;
- a wallbox foi instalada sem projeto;
- o DR desarma sem motivo aparente durante a recarga, ou nunca desarmou nem no teste do botão;
- o aterramento nunca foi medido;
- o condomínio ou a seguradora pediu documentação da instalação.
A vistoria verifica o tipo de DR, o circuito dedicado, o DPS e o aterramento por medição, e o resultado fica registrado em laudo com ART de engenheiro CREA-SP, o documento que o condomínio ou a concessionária pedem.
Próximo passo
Se você não sabe qual DR protege o seu carregador, essa dúvida já é motivo suficiente para uma avaliação. A ABI Antel instala e regulariza pontos de recarga em São Paulo e Grande SP, com circuito dedicado, DR adequado ao carregador, DPS, aterramento medido e laudo com ART. Fornecemos a wallbox junto com a instalação ou instalamos a que você já comprou.
Fale conosco pelo WhatsApp ou use o formulário de contato informando o modelo do carregador, fotos do quadro elétrico e o tipo de imóvel. Atendemos São Paulo capital e Grande SP.